
A saudade, sentimento abrasileirado, apimentado e tingido, tem me causado muitas disfunções. Sentimos fora de hora, fora de cena, fora do contemporâneo e erronêamente fora até do ciclo de pessoas que nos são queridas. Confundo ao me amalgamar aos conceitos de saudade e de pessoas queridas. Ora, afinal, se sinto saudades, logo são queridas estas pessoas. Como posso sentir aquilo que ainda não vi, ou que jamais vivi... Ou simplesmente idealizei. Sou um sonhador, um invencionista utópico, tentando criar interpretações para um possível vida feliz, um mundo quase fantástico. Pessoas que quando caio no infeliz real, percebo que nem ao menos aprendi sobre os seus gostos básicos, seus interesses ou até mesmo se fui assunto interessante para elas. Vale apena sentir este real? Prefiro a ilusão de grandes amores, maravilhosas pessoas, sonhos calorosos. As fotos de um juventude que esteve longe de mim e ainda assim, creio em uma aproximação um dia desses e ser também, tema contagiante para essas imagens, desconhecidas mas verdadeiramente empolgantes, vivas.

A saudade é cor clara, que nos ofusca sempre, as vezes rigida como um punhal, as vezes refrescante como uma gelatina. Sinto vontade de morder a saudade, agarrá-la pelos dentes e fazer dela um guia feroz para o outro lado: o reencontro, a satisfação, o amor novo. Ela é como um mutante que ao te contaminar, cria tentáculos que ao corte de um, cria-se o dobro. O irreal se faz presente mais que o real. O real não te deixa saudades, apenas aprendizados, as vezes magoas e infinitas ligas siamesas de afeto tenro. O incrível, é que a saudade irreal, imaginária, não para de crescer, de me consumir, de me enganar, de me fazer sacrificar gloriosos minutos, apenas refletindo porque não estou lá e cá, bem e bem quisto.